"É preciso haver fome do pobre para se gozar bem da riqueza."

"É preciso haver fome do pobre para se gozar bem da riqueza."
Banqueiros genocida"É preciso haver fome do pobre para se gozar bem da riqueza."

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Acusações de crimes de guerra

Soldado norte-americano escolta prisioneiro afegão suspeito de pertencer ao Taleban, capturado durante operação no leste do Afeganistão

Cinco soldados americanos estão enfrentando acusações de crimes de guerra, suspeitos de matarem deliberadamente civis afegãos. O escândalo ameaça manchar a imagem dos Estados Unidos no exterior e minar os esforços do presidente Barack Obama de se distanciar dos abusos da era Bush.
Ele costumava se gabar de todas as “coisas” que fez no Iraque e de como era fácil para um soldado americano escapar impune de quase tudo em uma guerra. O sargento Calvin Gibbs, 25 anos, natural do Estado americano de Montana, era o membro de patente mais alta de um grupo de cinco soldados, que ele supostamente apelidou de “equipe matadora”. Gibbs esteve o suficiente no Iraque para saber como impressionar seus colegas soldados. Tudo o que bastava, ele disse para eles em dezembro, era “jogar uma granada” para matar um punhado de afegãos. A equipe matadora aparentemente atirou sua primeira granada em janeiro.
Agora a equipe enfrenta um tribunal militar em Seattle. Os cinco homens, com idades entre 19 e 29 anos, são soldados da 2ª Divisão de Infantaria, estacionada na região de Kandahar. Os homens estão enfrentando acusações de crimes de guerra, incluindo o assassinato premeditado de pelo menos três civis afegãos. Sete outros soldados do batalhão foram indiciados por conspiração ou tentativa de acobertamento. Se condenados, eles podem enfrentar sentenças de prisão, até mesmo prisão perpétua. Os supostos assassinos podem até mesmo ser condenados à pena de morte.
Reputação dos EUA em jogo
Os Estados Unidos têm bons motivos para estarem alarmados. Apesar de ainda não estar claro o quanto as acusações são bem fundamentadas, o caso poderia ter repercussões enormes para todo o país.
Ele envolve mais do que um tribunal impondo uma pena justa a assassinos brutais, e mais do que o cumprimento do código de honra militar e da Convenção de Genebra. Em jogo está a reputação de um país que, após oito anos sob o governo do ex-presidente George W. Bush, vinha buscando se libertar das acusações de fracasso moral. De fato, o caso em Seattle coloca em dúvida se os Estados Unidos realmente superaram os dias em que mancharam sua reputação, com imagens de iraquianos nus forçados a formarem pirâmides humanas na prisão de Abu Ghraib.
Se as acusações forem comprovadas, os crimes cometidos pela equipe matadora foram além da morte de civis afegãos. Na verdade, os homens supostamente conceberam “cenários” para as mortes, o tipo de roteiro que incluía pretextos plausíveis para os assassinatos. Acredita-se que Gibbs tenha sido o planejador, enquanto membros mais jovens da equipe puxavam o gatilho. Os homens aparentemente tratavam as mortes como um esporte.
Eles supostamente atiravam contra suas vítimas com gosto, colecionando troféus, como ossos de dedos da mão e pé, até mesmo um dente. As acusações apontam atos horríveis, sem sentido, que lembram uma velha América, a América da simulação de afogamento, dos escândalos de tortura e da prisão de Guantánamo. Elas também colocam em dúvida o que exatamente mudou desde a campanha eleitoral, quando o então candidato Barack Obama prometeu tanto, incluindo uma abordagem mais responsável para as guerras e o fechamento da prisão militar em Cuba, um símbolo importante dos fracassos morais americanos sob o ex-presidente George W. Bush.
Perda da noção
O escândalo da “equipe matadora” ocorre no pior momento possível, faltando menos de dois meses para as eleições de novembro, eleições que podem ter um preço caro para os democratas de Obama.
Até o momento, os crimes em Kandahar parecem ser casos isolados, sem nenhum indício de que alguém tenha aprovado ou mesmo apoiado os ataques. São ações de jovens rufiões que perderam a noção por causa da guerra. No batalhão que inclui a “equipe matadora”, 33 soldados morreram nas missões de combate contra os insurgentes. Os membros do batalhão experimentaram os horrores da guerra e alguns deles usam drogas, como haxixe, para lidar com eles. Por este ponto de vista, os assassinatos também podem ser vistos como crimes horríveis de soldados enlouquecidos, que estão fora de contato com a realidade.
Coisas semelhantes ocorreram no Afeganistão há quase 30 anos, quando o exército soviético invadiu o país. Assassinatos, roubos e saques eram comuns na época. Os soldados soviéticos desmoralizados roubavam civis afegãos nos postos de controle. Eles frequentemente matavam suas vítimas, alegando serem mujahedeens.
Sentindo-se impotentes diante da resistência dos afegãos, as tropas de Moscou recorreram às drogas e álcool. Após terem perdido suas inibições, eles cometeram atrocidades que nunca esqueceriam. Em setembro de 1982, um grupo de soldados russos queimou 105 aldeões vivos em um canal de irrigação, ao sul de Cabul. Mulheres eram jogadas nuas de helicópteros. Em um incidente particularmente horrível, soldados banharam um menino em querosene e o incendiaram diante dos pais.
Os assassinatos cometidos por soldados americanos em Kandahar também afetam um contexto maior. Eles refletem o sentimento geral, a barbarização que sempre acompanha guerras que duram tanto –no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão.
‘Preciso manter isso em segredo’
Quando os homens da equipe matadora supostamente atacaram sua primeira vítima, Gul Mudin, em 15 de janeiro, foi como se estivessem atirando contra alvos de prática de tiro. Quando viram Mudin à beira do campo de papoula, Gibbs supostamente ordenou a um dos soldados que atirasse uma granada por sobre o muro e então ordenou a um soldado mais jovem que abrisse fogo. Mas isso foi só o início. Em 22 de fevereiro, Gibbs supostamente atirou em Marach Agha durante uma patrulha e então colocou um rifle Kalashnikov ao lado do corpo, para fazer com que parecesse ter sido em autodefesa. Mais de dois meses depois, em 2 de maio, a equipe aparentemente atirou em sua última vítima, o mulá Adahdad.
Mas como os oficiais de comando souberam? Como o exército realizou a investigação dos assassinatos? Ou na verdade tentou varrer os crimes para baixo do tapete? O pai de Adam Winfield, um dos cinco suspeitos, alega ter alertado a liderança militar meses atrás. Christopher Winfield diz que recebeu a seguinte mensagem no Facebook de seu filho, em 15 de janeiro, a data do primeiro assassinato: “Eu não sei ao certo o que fazer a respeito de algo que aconteceu aqui, mas preciso manter isso em segredo”.
Um mês depois, em 14 de fevereiro, Adam Winfield escreveu uma mensagem ao seu pai dizendo que sua unidade tinha matado “um sujeito inocente mais ou menos da minha idade”, que estava apenas trabalhando no campo. Gibbs aparentemente interpelou Winfield posteriormente, quando ele tentou conversar com um capelão, e o alertou para ficar calado.
O Pentágono disse pouco a respeito do caso. “É algo desalentador de ouvir caso seja comprovado”, disse um porta-voz para a agência de notícias “The Associated Press”, quando perguntado a respeito dos alertas de Christopher Winfield, que aparentemente não foram levados a sério. “Se alguém tenta nos contatar para evitar um problema potencial, isso é algo a que damos atenção.”
Extremamente lamentável

Nenhum comentário:

Postar um comentário